Reforma tributária sem split payment favorece quem frauda, diz ministro da Fazenda

Na imagem, Dario Durigan (esquerda) e Flávio Bolsonaro (direita) – Fotos: Kayo Magalhães e Bruno Spada via Câmara dos Deputados

Por Leonardo Alexandre, de São Paulo

Governo e campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, divergem sobre o futuro do split payment, mecanismo da reforma tributária que separa e recolhe o tributo automaticamente nas vendas entre empresas. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse na 4ª feira (7.out.2026) que ser contra a ferramenta é “favorecer quem frauda”, em resposta à assessora econômica do candidato, Daniella Marques, que afirmou que o recurso será extinto se ele vencer a eleição.

A discussão gira em torno de um sistema que ainda não saiu do papel. O split payment deve começar a valer em 2027, de forma opcional e só entre empresas. Na prática, o imposto é separado no momento do pagamento e vai direto ao governo, sem passar pelo caixa de quem vendeu. O governo sustenta que isso dificulta a sonegação.

A POSIÇÃO DA CAMPANHA

Daniella Marques falou do tema em entrevista ao canal do jornalista Claudio Dantas no YouTube. Ela disse que o split payment “simplesmente asfixia o capital de giro do pequeno, que já está asfixiado” e, ao ser perguntada se a campanha acabaria com a ferramenta, respondeu “Claro que sim”.

O próprio Flávio Bolsonaro já havia tocado no assunto em agosto, quando defendeu uma “transição melhor” para o split payment em um podcast, como mostrou o Portal da Reforma Tributária.

A POSIÇÃO DO GOVERNO

Durigan afirmou que a implantação do split payment será gradual e começará pela relação entre empresas. “O pequeno negócio que opera no varejo está fora do split payment”, disse.

O ministro defendeu a ferramenta como “mais uma inovação tecnológica da reforma tributária” e disse que ela “garante transparência e simplificação tributária”.

Ele também argumentou que o mecanismo “fecha o cerco às empresas fraudulentas, as chamadas noteiras, que prejudicam os empresários sérios”. “Com menos fraude, a alíquota geral será menor para todos”, declarou.

Durigan comentou a ideia de acabar com a ferramenta. “Voltar atrás é manter um sistema complexo, que sempre atrapalhou o empresário brasileiro”, afirmou.

Uma eventual mudança no split payment, porém, não dependeria só do governo federal e exigiria o aval do Comitê Gestor do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), formado por estados e municípios. As declarações do ministro foram divulgadas pela Folha de S.Paulo.

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