Flávio Bolsonaro defende “transição melhor” para o split payment

Na imagem, Flávio Bolsonaro – Foto: Vinicius Loures via Câmara dos Deputados

Por Leonardo Alexandre, de São Paulo.

O senador e candidato a presidente, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), defendeu na 5ª feira (6.ago.2026) uma “transição melhor” para a implantação do split payment (pagamento fracionado do tributo). 

Ele afirmou que o novo modelo pode afetar o fluxo de caixa de comerciantes e empreendedores, já que o tributo será recolhido automaticamente no momento da compra. Para o parlamentar, o setor precisará de mais tempo para se adaptar à mudança.

“Teria que ter uma transição melhor, do meu ponto de vista, para que o comerciante pudesse se reorganizar para ter fluxo de caixa. Você está contando com esse dinheiro”, afirmou o senador no podcast Market Makers.

O split payment é um sistema previsto na reforma tributária. Pelo modelo, quando uma compra é paga e a nota fiscal é emitida, a parcela correspondente ao tributo é separada automaticamente e transferida ao governo, sem passar pelo caixa da empresa. 

Hoje, em muitos casos, esse valor permanece temporariamente com o estabelecimento até a data de recolhimento do imposto.

Ao comentar sobre a mudança, Flávio Bolsonaro reconheceu que o modelo pode trazer benefícios. “ É uma coisa que moderniza? Sim, eu acho que dá transparência, você sabe exatamente quanto é que você tá pagando de imposto naquele momento’’, afirmou.

Apesar disso, ele argumentou que a adoção do sistema pode afetar o capital de giro das empresas. 

‘’Você está contando com esse dinheiro para poder pagar o fornecedor daqui a 30 dias, para poder pagar alguma outra conta. E do nada isso acabou. Pode dar um bom ruído no início’’, declarou.

Na avaliação do senador, esse impacto exige um período maior de adaptação para que comerciantes e empreendedores possam reorganizar seu planejamento financeiro antes da adoção definitiva do sistema.

O parlamentar criticou o fato de que a ferramenta será aplicada em 2027, após as eleições de 2026. Sugeriu que isso favorece o atual governo e que esse calendário dificulta o debate sobre os efeitos práticos da medida antes de sua entrada em vigor.

No último mês, o split payment também passou a ser alvo de discussões nas redes sociais. Parte das publicações associa o sistema à criação de uma tributação sobre o PIX. 

A informação é falsa. O modelo não cria um novo imposto nem altera a tributação das transferências via PIX. O sistema automatiza o recolhimento dos tributos devidos em operações com emissão de nota fiscal, antecipando o repasse ao governo.

A previsão é que o split payment comece a ser adotado em 2027 apenas nas operações entre empresas (B2B) e de forma opcional. 

Antes disso, o governo deve iniciar testes internos da ferramenta, enquanto alguns pontos da regulamentação ainda dependem de definição.

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