Reforma tributária muda rotina da área fiscal e amplia integração entre departamentos, diz especialista em tributos

Por Enzo Bernardes, de Brasília

A reforma tributária já mudou a forma como profissionais da área fiscal trabalham nas empresas, segundo a avaliação de Laura Altobeli de Brito, coordenadora de conciliação fiscal da empresa da indústria química Dow. Ela participou do podcast Tax Capital, do Portal da Reforma Tributária.

Segundo a executiva, a reforma deixou de ser um tema de planejamento futuro para se tornar parte da rotina das empresas e passou a orientar decisões em praticamente todas as atividades do departamento fiscal.

Hoje nosso foco mudou totalmente, pensamos em reforma o tempo todo. Tudo que estou fazendo, estou olhando a conciliação contábil com a fiscal: mas será que isso vai impactar? Como vai mudar? […] Acho que te aguça muito para aprender, estudar, discutir, trocar ideia, trocar figurinhas e conversar com profissionais de outras áreas e de outras empresas“, disse.

Para Laura, a reforma já faz parte do dia a dia das empresas: “Costumo dizer: acordamos, tomamos café com o tributário, almoçamos e falamos sobre o tributário“.

A coordenadora afirma que a preparação tem sido conduzida há bastante tempo dentro da Dow. O trabalho envolve estudos diários, parametrizações de sistemas, mapeamento das operações e avaliação dos impactos que o novo modelo tributário terá sobre os processos da empresa.

Segundo ela, a principal mudança está no entendimento de que a reforma não representa apenas a substituição de tributos. Na prática, trata-se de uma transformação que envolve toda a organização.

Quando começamos a falar de reforma tributária, muitas pessoas disseram que é só a mudança ou a substituição de um imposto. Mas não é bem assim, a gente tem uma mudança totalmente sistêmica, em que todas as áreas são envolvidas e impactadas“, declarou.

Esse cenário ampliou a interação entre o departamento fiscal e áreas como financeiro, jurídico, controladoria, custos e faturamento. Laura afirma que conhecer o funcionamento desses setores passou a ser essencial para avaliar os impactos da reforma e preparar a empresa para a transição.

Ela explica que um dos primeiros desafios foi mostrar aos demais departamentos que a reforma não diz respeito apenas ao setor tributário. Por isso, a empresa passou a realizar reuniões e workshops para apresentar os impactos das mudanças e definir o papel de cada área no processo.

O tax por si só não entende de todas as operações, departamentos ou de como funcionam todos os processos de uma empresa. Então nós levamos uma visão de que precisamos trabalhar em conjunto. A reforma vai mudar tudo […] É um marco histórico“.

Segundo Laura, os encontros ajudaram outras equipes a compreender a dimensão das mudanças. Ao mesmo tempo, permitiram identificar operações e processos que ainda precisavam ser mapeados.

PRECIFICAÇÃO

Outro ponto que ganhou destaque no Tax Capital foi a revisão da precificação. A coordenadora afirma que a mudança na forma de incidência e contabilização dos tributos exigirá uma revisão das margens, dos custos e das estratégias comerciais.

Esse ponto da precificação vai ser extremamente impactado. Nós vamos precisar ter um planejamento financeiro, um planejamento junto ao tributário para entender onde mexer, em qual margem mexer, para no fim não ter prejuízo nas minhas atividades“. Segundo ela, o trabalho já envolve o levantamento de todas as operações de compra e venda da empresa, além da revisão de contratos.

PREPARAÇÃO

Ao falar sobre a preparação das empresas, Laura defende que o 1º passo é investir em conhecimento. Para ela, independentemente do porte da organização, estudar e compreender a realidade do próprio negócio são fatores decisivos para enfrentar a transição.

Eu acho que o principal ponto de reforma tributária, o marco zero, é estudar, se atualizar com fontes confiáveis, cursos, trocar figurinhas e conversar com pessoas de outras áreas“, avaliou.

Ela recomenda que as empresas construam cenários, avaliem seus produtos e revisem estratégias para preservar competitividade e rentabilidade.

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