
Por Gabriel Benevides, de Brasília
Levantamento do Portal da Reforma Tributária com base em dados do Tesouro Nacional mostra que a carga tributária do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) atingiu em 2025 o maior nível desde 2011.
A arrecadação com o tributo representou 0,68% do PIB (Produto Interno Bruto) no ano passado. Era de 0,73% do PIB 14 anos antes.
O movimento foi fortemente influenciado pelos decretos que elevaram o imposto –medida adotada pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A iniciativa resultou em uma arrecadação extra estimada em R$ 14 bilhões de maio até dezembro de 2025.
Leia abaixo como se comportou a carga tributária do tributo:

A carga tributária é a proporção de toda a riqueza produzida no país arrecadada pelo governo com impostos, taxas e contribuições.
Especialistas consultados pelo Portal avaliam que a tendência é de um aumento ainda maior da carga tributária do IOF nos próximos anos.
“Muitas empresas tentaram, de alguma forma, mitigar as transações que incidem em IOF. Mas é claro que a alíquota foi majorada e a tendência agora para 2026 é que tenhamos uma visão muito mais clara do alcance do IOF”, diz Genildo Rosales, CEO (presidente) da Quality Tax.
João Pedro Leme, da Tendências Consultoria, ressalta ainda que os aumentos de alíquotas não valeram durante o exercício completo de 2025.
Ele explica que o caminho mais provável é que a carga tributária do IOF cresça ainda mais em 2026, quando os decretos valem para o ano inteiro.
“Para 2026, mantidas todas as outras condições relativamente constantes, a ideia é que o número seja bem maior do que esse daí, até porque você vai ter a medida dobrada para o ano”, afirma.
Sócia consultora do Instituto de Finanças Públicas e ex-secretária de Economia de Goiás, Selene Nunes lembra ainda que o resultado de 2025 foi fortalecido por causa dos juros altos.
O IOF incide sobre operações financeiras, como cartão de crédito e seguros. Se as taxas são elevadas, aumenta-se também a base tributável.
Selene avalia que pode haver um alívio na carga do imposto caso os juros diminuam em 2026.
“Todos os decretos aumentam [a carga tributária]. Quer dizer, se tiver a situação atual, só os decretos aumentam. Aí, se você conseguir baixar os juros, isso afeta o IOF”, avalia a especialista.
IOF NO PASSADO
João Pedro Leme declara que a carga tributária sobre o IOF só não foi a maior em 2025 porque o imposto “já teve uma alíquota muito maior” no passado.
A alíquota sobre as compras internacionais era de 6,38% em 2011, por exemplo. Atualmente, é de 3,5%.
O governo Bolsonaro havia feito um movimento de diminuir ou zerar o tributo gradualmente até 2028, o que foi interrompido por Lula.
O objetivo central era promover a entrada do Brasil na OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Para Leme, o movimento atual dificulta a aceitação do país pela entidade internacional.
“Se for fazer esse framing da questão da OCDE, sim, é um retrocesso. Porque um dos compromissos que o Brasil […], sobretudo na administração passada, para fortalecer uma candidatura para membro do OCDE é a ideia de que tem que reduzir impostos ou quaisquer mecanismos que possam ser interpretados ou lidos como controle de capitais”, diz.




